Rua Deputado Octávio Lopes, 195
Centro - Limeira/SP
HOME BLOG Hospital é condenado por demora no diagnóstico após cirurgia e deverá indenizar paciente

Hospital é condenado por demora no diagnóstico após cirurgia e deverá indenizar paciente

A 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação do Hospital Santa Luzia S.A. e da Rede D'Or São Luiz S.A. por falha na prestação da assistência médica durante o período pós-operatório. A decisão reconheceu que a demora no diagnóstico de uma fístula liquórica contribuiu para o agravamento de uma infecção e ocasionou sequelas permanentes ao paciente.

O julgamento reforça um importante entendimento do Direito Médico: embora complicações possam ser riscos inerentes a procedimentos cirúrgicos, a demora na identificação e no tratamento dessas intercorrências pode gerar responsabilidade civil do hospital.

Entenda o caso

De acordo com os autos, o paciente foi submetido a procedimento cirúrgico e, nos dias seguintes, apresentou um grave quadro infeccioso. Posteriormente, foi constatada a existência de uma fístula liquórica — complicação que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar consequências graves.

O autor da ação sustentou que a equipe assistencial demorou a identificar a intercorrência, permitindo a progressão da infecção. Em razão disso, precisou ser submetido a novas cirurgias e passou a conviver com sequelas permanentes, incluindo redução de sua capacidade para o trabalho e prejuízo à qualidade de vida.

Em defesa, os hospitais alegaram que toda a assistência foi prestada conforme os protocolos médicos e que as complicações decorriam dos riscos naturais do procedimento, inexistindo falha no atendimento.

O que decidiu o Tribunal?

A perícia judicial teve papel decisivo na solução da controvérsia. O laudo concluiu que a identificação tardia da fístula liquórica contribuiu diretamente para o agravamento do quadro infeccioso e para o surgimento das sequelas permanentes.

Ao manter a sentença, os desembargadores destacaram que os estabelecimentos hospitalares respondem objetivamente pelas falhas na prestação dos serviços de internação e acompanhamento pós-operatório, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

Segundo o colegiado, a existência de riscos inerentes à cirurgia não exclui a responsabilidade do hospital quando fica demonstrada deficiência na assistência destinada ao diagnóstico e ao tratamento tempestivo das complicações.

Quais foram as indenizações mantidas?

A condenação solidária das empresas foi preservada, assegurando ao paciente o recebimento de:

  • R$ 7.432,00 por danos materiais;
  • R$ 50.000,00 por danos morais;
  • R$ 20.000,00 por danos estéticos;
  • Pensão mensal em razão da redução da capacidade laborativa;
  • Honorários advocatícios de 15% sobre o valor da condenação.

A decisão foi unânime.

A importância do acompanhamento pós-operatório

Sob a perspectiva do Direito Médico, o caso evidencia que o dever de cuidado do hospital não se encerra com a realização da cirurgia. O monitoramento adequado do paciente, a investigação de sinais clínicos de alerta e o diagnóstico oportuno de intercorrências fazem parte da obrigação de prestar um serviço de saúde seguro e eficiente.

Quando a falha assistencial agrava o estado clínico do paciente e produz danos evitáveis, a instituição hospitalar pode ser responsabilizada pelos prejuízos decorrentes.

Conclusão

O acórdão do TJDFT reafirma que a responsabilidade civil hospitalar pode surgir não apenas por erros durante o procedimento cirúrgico, mas também por falhas na assistência pós-operatória. A decisão fortalece a proteção dos pacientes e destaca a relevância do diagnóstico precoce para evitar sequelas permanentes.

Processo: 0707072-22.2023.8.07.0001

Fonte: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Leia Mais

Card image cap

TJMG condena Estado e Município a indenizar filhos de paciente que morreu aguardando transferência h

Tribunal fixou indenização de R$ 35 mil para cada um dos quatro filhos de paciente com leucemia mieloide aguda que faleceu sem ser tran

Continuar lendo
Card image cap

Ruptura de prótese mamária pode gerar indenização por danos materiais estéticos e morais

A utilização de dispositivos médicos envolve não apenas questões relacionadas ao procedimento cirúrgico, mas tamb&e

Continuar lendo
Card image cap

Plataforma de apostas é condenada por não intervir diante de comportamento de risco do usuário

Decisão reconhece falha na prestação do serviço diante da ausência de monitoramento e intervenção per

Continuar lendo
Todos os direitos reservados
© Copyright 2026 | Gianotto - Sociedade de Advogados