Rua Deputado Octávio Lopes, 195
Centro - Limeira/SP
HOME BLOG STJ anula confissão de dívida hospitalar assinada após morte do paciente por erro na vontade

STJ anula confissão de dívida hospitalar assinada após morte do paciente por erro na vontade

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão de grande relevância para o Direito da Saúde e para famílias que enfrentam cobranças hospitalares após o falecimento de um ente querido.

No julgamento do REsp 2.180.288, sob relatoria da ministra Nancy Andrighi, a Corte reconheceu a nulidade de um contrato unilateral de confissão de dívida hospitalar assinado por uma filha poucas horas após a morte do pai.

A decisão reforça um ponto essencial: a vulnerabilidade emocional não pode ser utilizada para impor obrigações pessoais indevidas.


?? O que aconteceu no caso?

Após a internação do pai — que veio a falecer — a filha assinou, no hospital, um instrumento de confissão de dívida no qual constava como “curadora e responsável”.

Posteriormente, o hospital ajuizou execução diretamente contra ela, como pessoa física, buscando cobrar o valor integral do débito.

O argumento do hospital era de que, como a curatela havia sido extinta com a morte, a assinatura representaria assunção pessoal da dívida.

O Tribunal de origem manteve a cobrança. Contudo, o STJ reformou a decisão.


?? Por que o STJ anulou a confissão de dívida?

A ministra Nancy Andrighi destacou que o negócio jurídico é anulável quando há erro substancial na declaração de vontade, nos termos dos arts. 138 e seguintes do Código Civil.

No caso concreto, foram determinantes:

  • A assinatura ocorreu horas após o falecimento;

  • A filha estava em estado evidente de abalo emocional;

  • O contrato apresentava qualificação ambígua;

  • Havia fundada e escusável crença de que ela agia como representante do espólio, e não assumindo dívida própria.

Segundo o entendimento da Corte, qualquer pessoa em situação semelhante poderia acreditar que estava apenas formalizando obrigação vinculada ao patrimônio do falecido.

Assim, ficou caracterizado erro essencial, apto a anular o negócio jurídico.


?? O que essa decisão significa na prática?

Esse precedente é extremamente relevante porque, na prática hospitalar, é comum que:

  • Documentos sejam apresentados em momentos de fragilidade extrema;

  • Familiares assinem instrumentos sem plena compreensão das consequências jurídicas;

  • A cobrança seja direcionada à pessoa física do familiar, e não ao espólio.

A decisão deixa claro que:

? A responsabilidade por despesas médicas não é automaticamente do familiar;
? O contexto emocional da assinatura importa juridicamente;
? A boa-fé objetiva deve nortear a conduta das instituições de saúde;
? Confissões de dívida assinadas sob erro podem ser anuladas judicialmente.


?? Atenção: nem toda dívida hospitalar é automaticamente exigível do familiar

Cada caso deve ser analisado individualmente.

É necessário verificar:

  • Quem era o responsável contratual;

  • Se houve assinatura como garantidor ou devedor solidário;

  • Se existia espólio constituído;

  • Se houve vício de consentimento (erro, dolo, coação);

  • Se a cobrança respeita a boa-fé e a legislação civil.


Quando buscar orientação jurídica?

Se você:

  • Assinou documento hospitalar em momento de luto ou pressão emocional;

  • Está sendo cobrado por dívida médica de familiar falecido;

  • Recebeu ação de execução baseada em confissão de dívida hospitalar;

é fundamental compreender seus direitos antes de realizar qualquer pagamento ou acordo.


?? Fale com um advogado especialista

Casos envolvendo cobrança hospitalar exigem análise técnica cuidadosa e estratégica.

Nosso escritório atua de forma ética e especializada em Direito da Saúde, avaliando documentos e circunstâncias para identificar eventuais abusos ou vícios contratuais.

Entre em contato para uma análise jurídica do seu caso e esclareça suas dúvidas com segurança.

Informação jurídica de qualidade também é uma forma de proteção.

Leia Mais

Card image cap

STJ anula confissão de dívida hospitalar assinada após morte do paciente por erro na vontade

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão de grande relevância para o Direito da Saúde e

Continuar lendo
Card image cap

Clínica é condenada por erro na identificação do sexo do bebê entenda quando há dever de indenizar

Uma decisão recente da 4ª Vara de Cubatão reconheceu a responsabilidade de clínica e médico por erro na identificaç&a

Continuar lendo
Card image cap

Médico pode separar agenda para pacientes particulares e de plano de saúde Entenda o novo posicionam

O Conselho Federal de Medicina publicou o Parecer CFM nº 1/2026 (Processo-Consulta PAe nº 000035.10/2025-CFM), trazendo importante

Continuar lendo
Todos os direitos reservados
© Copyright 2026 | Gianotto - Sociedade de Advogados